Há algum tempo, trocando ideia com alguém sobre coisas aleatórias, acabei por me propor a postar uma classificação das capas de Saint Seiya, de acordo com meu gosto.
A ideia original era esperar todos os volumes da Final Edition serem lançados, o que teria acontecido antes do início do Tenkai-hen se o Kurumada tivesse mantido o ritmo inicial de publicação.
Como o Kurumada resolveu frustrar os meus planos, vou postar agora, antes que comecem a sair os volumes do Tenkai-hen e bagunce tudo de uma vez.
Depois que a Final Edition tiver terminado de ser publicada, eu atualizo a lista.
Não deveria ser necessário dizer, mas as escolhas foram feitas baseadas no meu gosto, que ninguém precisa concordar, e portanto não há razão para ninguém se ofender também. Inclusive, se eu for refazer essa lista, é bem provável que ela não saía igual a primeira. Salvo algumas capas que eu gosto (ou desgosto) muito, muita coisa é bem flexível no meio.
A lista é composta das capas das edições tankoubon, bunkoban, kanzenban e aizouban da série clássica, mais os volumes de Next Dimension e os da Final Edition lançados até agora.
Ficaram de fora a edição especial do volume 1 da Final Edition que acompanha o Cloth Myth do Seiya com a primeira armadura do mangá, que apesar de eu ter, não é uma edição regular que possa ser adquirida de forma convencional, além de não ser uma coleção que contempla as demais edições; e também as edições Shueisha Jump Remix (republicações feitas de forma promocional quando saía algum produto novo relacionado a franquia), que eu não tenho certeza se traziam o mangá de forma completa, além das capas terem uma cara de propaganda. De qualquer forma, pretendo dar uma conferida nessas edições Shueisha Jump Remix futuramente, e qualquer coisa eu revisito essa lista e acrescento elas.
Dando uma contextualizada, tankoubon são as edições regulares em que os mangás são lançados de forma compilada depois de terem sido publicadas em edições periódicas como a Shounen Jump, por exemplo. Quando a pessoa fala de edições de mangá e não especifica qual, é de se esperar que ela esteja falando da edição tankoubon.
Bunkoban é uma edição menor e mais barata, normalmente com pior qualidade de impressão, papel de menor gramatura e mais páginas por edição. É uma edição econômica, por assim dizer.
Kanzenban é um termo que acabou se popularizando por aqui, alguns chamando de edição definitiva. Se refere a edições maiores, em geral com papel melhor e as páginas coloridas.
Aizouban são edições mais caras, e que seriam as edições de luxo.
Não dá pra dizer que o Kurumada seja um grande capista. Pra ser sincero, com frequência as capas que ele fez, principalmente na primeira metade de sua carreira, eram meio estranhas, com composições algo preguiçosas ou questionáveis. Um tropos nas capas são ilustrações só do rosto da personagem, estilo de capa que pode-se dizer seja seu forte.
Enfim, são 109 capas, ordenadas de forma decrescente, ou seja, da que menos gosto para a que mais gosto.
109: Edição número 4, bunkoban
Todas as capas das edições bunkoban são horríveis. Sem exceção, todas têm o mesmo layout, essa foto de fundo, com um pequeno recorte de ilustração num quadradinho.
A foto não faz jus a má qualidade da impressão da capa, em mãos é muito pior.
Não sei até que ponto o Kurumada tinha qualquer tipo de decisão sobre, mas as capas das edições bunkoban de Saint Seiya são especialmente ruins, diferentemente das de Fuuma no Kojirou que eu acho bem bonitinhas.
Essa ilustração do Seiya com a armadura de sagitário já não é particularmente boa...
108: Edição número 9, bunkoban
A ilustração original não é das que mais me agradam. O cabelo do Seiya costuma estar mais bem pintado que neste caso.
107: Edição número 13, bunkoban
O Seiya não está presente em apensas quatro das quinze capas da edição bunkoban. Esta ilustração do Hyoga vai aparecer como capa em outras versões também.
106: Edição número 14, bunkoban
A ilustração original é uma das mais bonitas, provavelmente feita depois do final da serialização do mangá.
Outra ilustração clássica. O recorte mantem a pose de ação e está numa disposição que a ilustração corta a diagonal da área.
Saindo das edição bunkoban que sofrem cronicamente de uma decisão ruim de design, temos a primeira representante da Final Edition que sofre cronicamente de pintura ruim.
Amarelo muito claro, efeitos pretos (que deveriam representar o terminador, a área que delimita a luz e a sombra) que têm partes meio apagadas, brilhos brancos que que não acompanham a direção da luz e volume do objeto, sombra feita com tons de cinza, etc.
Um terror!
Aldebaran é o pior exemplo dessas capas, e só não é a pior capa de todas porque as capas das edições bunkoban são o que são.
O problema dessa capa é que ela é um bom exemplo do porquê o Kurumada não é um particularmente um bom capista.
Não há nada de errado com ela em si, mas ela é basicamente monocromática entre cinza e azul, e o cabelo do Seiya que poderia ter sido pintado como ilustrações do fim do mangá, com a cor indo do castanho pro vermelho, o que traria uma harmonia com os outros elementos vermelhos da capa, foi pintado indo do preto pro castanho.
Outro bom exemplo de ilustração que não tem nada de errado, mas que não serve de capa.
87: Edição número 13, Final Edition
Esta é uma capa preguiçosa.
Cores desinteressantes, ilustrações jogadas, fundo sem a menor criatividade...
85: Edição número 8, Final Edition
A vantagem dos cavaleiros de bronze nas capas da Final Edition é que há mais variação de cores, não sendo o amarelo tão predominante, o que já dá um contraste maior com o logo, e o terminador não é feito só com preto.
Dito isto, Seiya é o pior exemplo dentre eles.
Combinação de cores inusitada e novamente o uso de linhas no fundo como se não tivesse ideia de como preenchê-lo.
Gosto desta ilustração, detesto esta pintura.
A forma como os cavaleiros estão jogados sem muito cuidado é o que estraga, com certeza, mas o fundo ficou bom e em harmonia com os demais elementos gráfico, além de prover um contraste para as personagens.
Essa capa tem uma pintura "única".
A grosso modo podemos dizer que houve três tipos de pintura diferentes em Next Dimension, muito provavelmente porque a pessoa, ou pessoas, responsável pela pintura deixou de trabalhar na Kurumada Pro e o trabalho foi assumido por outro, e posteriormente novamente.
Não acredito que a mudança na pintura tenha sido decisão artística, porque sobre todos os aspectos a pintura do começo de Next Dimension é bastante superior as demais.
Se fosse uma decisão tomada por conta do tempo de produção, o que não necessariamente faz sentido, as capas teriam mantido o estilo anterior.
Com poucos ajustes esta capa seria uma razoável.
O mais gritante de todos, não fazer sombras com preto. Uma pintura interessante faz as sombras usando uma cor mais fria (ou outra cor em geral, a depender do efeito desejado, ou da temperatura da luz, etc), e não preto. A pintura fica completamente sem graça e sem vida fazendo sombras desta forma.Questiono aqui o uso das cores.
As armaduras estão bem pintadas. O cabelo do Seiya poderia estar melhor. O vermelho de fundo deixou uma sensação muito monocromática e apagada no Posseidon.
Se as faixa, logo e o mar fossem azuis, criariam um contraste que faria o Posseidon se destacar e ganhar vida, deixando tudo muito mais interessante.Essa capa é um misto de "ei, isso não ficou legal" com "essa ideia tinha de ser usada pelo menos uma vez".
Nos encontramos novamente com esta ilustração, agora completa.
Mesma ilustração, agora sem o fundo.
O fundo branco e o logo rosa dão um charme maior a ilustração, mas o logo e a numeração não deveriam estar superpondo a ilustração.Eu teria posto o logo em outro lugar, provavelmente no canto inferior direito.
Esta capa é legal.
Este é outro bom exemplo da preguiça e desleixo do Kurumada com capas. A ilustração é legal e bem feita. O verde talvez não seja a melhor escolha (talvez azul ficasse melhor?), mas não atrapalha.
Esta é outra capa que deveria me desagradar mais. Tem muita coisa errada nela, mas batendo os olhos sem ficar pensando muito ela estranhamente funciona.
Esta capa me surpreende.
Esta é outra capa que talvez eu goste mais do que deveria, e o principal motivo talvez seja porque eu olho pra ela e reconheço o desenho do Kurumada.
Coisa estranha de se dizer, não?
Depois deste ponto eu já não consigo ter certeza se houve alguma sequência de desenhos que não teve ajuda de outra pessoa (que ele tem creditado nos últimos dois volumes do Next Dimension e agora no início do Tenkai-hen). Talvez ele já não tenha mais capacidade física de desenhar como antes.
Espero sinceramente que o que tenha feito com que ele usasse ajuda de outros desenhistas seja o foco nas alterações da Final Edition, e que depois disso ele volte a focar completamente no Tenkai-hen.
De qualquer forma, essa capa meio que representa pra mim a última resistência de um estilo.
Esta é uma boa ilustração. Meio viajada, mas boa. Nunca entendi a escolha do barco. Quero dizer, não é algo relevante da história.
Tem algumas coisas que eu não gosto nesta ilustração, mas ela acerta em outras tantas, e é uma boa representação da primeira fase do mangá, com os cinco e a Saori juntos, além das doze caixas de pandora das armaduras de ouro, e a feliz escolha de fazer o fundo claro.
Mesma ilustração, mas sem logo encobrindo a Saori.
Esta capa usa a mesma ilustração que a edição da Shounen Jump em que foi publicado o primeiro capítulo do mangá.
Como já mencionado, a capa focada no rosto é um dos tropos do Kurumada, e esta passa uma energia muito boa. O traço forte, as curvas, a jovialidade. Talvez as pessoas achem sem graça, mas pra mim é muito nostálgica.
Gosto desta ilustração.
O Kurumada nem sempre respeita as cores, e aqui é um bom exemplo de como isto foi usado para beneficiar a ilustração como um todo.
Esta é outra capa que eu gosto mais do que deveria. O fundo azulzinho é uma escolha nada interessante. O roxo acinzentado não foi a melhor escolha.
Por outro lado, sempre gostei muito desta ilustração do Seiya. Bem feita, bem pintada, com a ação seguindo a diagonal principal.
Porém, mais que suas qualidade, pra mim esta ilustração se tornou muito nostálgica.
Primeiramente é a ilustração que a Conrad usou para a capa da edição número um quando publicou o mangá no início dos anos 2000, a primeira vez que muitos aqui tiveram acesso a ler o mangá. Certamente um marco para os fãs de Saint Seiya, apesar dos defeitos da publicação.
E esta ilustração também foi exemplo que eu usei no questionamento que fiz ao Cassius Medauar numa palestra que ele deu em um evento de animes.
Minha pergunta: por que não usar nas capas as mesmas imagens das capas japonesas?
Resposta dele: porque o Kurumada não tem mais as artes originais.
Esta é uma capa de certa forma única.
A ilustração e composição são boas, mas mais que isso, está é uma capa que por si só conta uma história. Ela consegue representar mais que um momento congelado. Ela tem movimento. Ela tem conteúdo. Ela é um fragmento narrativo.
Esta é outra imagem clássica que me admira não ter sido usada em outras edições.
O verde do fundo é de um tom agradável e cria um bom contraste direcionando a visão do observador para o rosto do Seiya, ele está disposto sobre a diagonal principal, a cor prateada na faixa lateral caiu bem.
Bela ilustração. Fundo agradável que faz um bom contraste com a ilustração. Escolha acertada do dourado para a faixa lateral e o logo. Tudo acertado.
Só fica a dúvida do porquê não usaram esta ilustração nas outras edições também.Esta é uma bela ilustração, e outro dos tropos do Kurumada, uma ilustração em primeiro plano com os rostos das outras personagens ao fundo.
Ela certamente foi feita para o lançamento da aizouban, que foi no período em que o Kurumada estava desenhando B'tX. A forma como ele fez os olhos é daquela época, diferente de quando Saint Seiya estava sendo publicada.
Mais que uma bela ilustração, está capa tem um valor sentimental pra mim. Em 1999 eu juntei um pouco do dinheiro que tinha recebido de salário nos meus primeiros (sub-)empregos da adolescência e decidi que queria comprar edições do mangá de Saint Seiya.
A única forma que eu tinha na época de comprar mangá importado era pela Fonomag. Pedi a um amigo para usar o telefone da casa dele, já que na minha casa não tinha telefone, e acesso a internet era mais difícil ainda. Ir pessoalmente era fora de cogitação, já que eu moro no fim do mundo numa cidadezinha de interior (só fui pisar no Fonomag mais de 20 anos depois).
Ligamos e perguntamos o que tinha disponível de Saint Seiya. Ingenuidade minha achar que teriam disponível toda coleção de tankobon da década de 80. O que eles tinham eram alguns números da aizouban que tinha sido lançada há alguns anos. Não lembro exatamente quais números estavam disponíveis, eram uns seis ou sete. Não tinha a número um, e meu dinheiro só daria para compra uma edição, então eu escolhi a última, já que acho melhor ter o começo ou fim que uma edição perdida no meio, e, além disso, era da Saga de Hades, que eu nunca tinha tido oportunidade de ver.
Esta ilustração é muito boa, e aqui ela está em toda sua glória.
Me lembro da primeira vez que a vi, pesquisando na internet, possantes 56kbps, num 486 de um laboratório de informática da escola em que eu fazia curso técnico.
Nos pouco minutos que dava pra usar o computador, baixar aqueles arquivos pequenos que demoravam para carregar e salvar em disquetes, eu ficava imaginando uma animação da Saga de Hades, que não parecia tão distante já que o anime estava nas TVs há não muito tempo, com aquelas armadura, o eterno boato que sempre aparecia.
O que dizer desta capa?
Ela faz tudo absolutamente certo.
Belíssima ilustração! Dois tropos do Kurumada, a ilustração monocromática e os rostos das personagens ao fundo, com um Seiya muito bem feito em uma armadura linda à frete, e uma coisa que me agrada nele em relação a outros protagonistas de battle shounen, ele sorrindo e não carrancudo. Isso tudo numa ilustração visualmente agradável, uma excelente escolha de usar o preto na faixa lateral com escritos em branco e amarelo, logo prateado.













































































































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